O Popular Online

Bloco sambalanço do zé ninguém
Nascido de bloco de carnaval, o Bangalafumenga lança novo CD destacando o samba de cadência pop

por Edson Wander

Igual ao mais conhecido Monobloco, o Bangalafumenga é um grupo que surgiu de um bloco carnavalesco no Rio de Janeiro. Alguns dos integrantes dos grupos são os mesmos.

Onze anos depois das primeiras batucadas (eminentemente carnavalescas), o grupo lança seu novo álbum Barraco Dourado, em que aposta de novo no samba-funk como linguagem para veicular uma música autoral num subgênero já marcado por nomes do peso como Jorge Ben Jor.

O Bangalafumenga (João Ninguém no dicionário e casa de batuque no dizer do Rio Antigo) começou por iniciativa do poeta Chacal e dos músicos Rodrigo Maranhão e Celso Alvim. Começou como um espaço de samba puro e improviso de contorno pop na Gávea.

Virou bloco carnavalesco no mesmo ano, já na efervescência do resgate do carnaval de rua que a cidade experimentava. Virou também rodas de samba, bailes e ganhou espaço fixo em Botafogo, onde já rolam oficinas de percussão que agregam cerca de cem alunos.

Por trás dessa movimentação, o desejo de fazer música com um sabor antigo, mas com elementos novos e, principalmente, autorais. O grupo hoje conta com 15 integrantes fixos, mas na costura principal dessa escrita própria está Rodrigo Maranhão, cantor, compositor e instrumentista. Ele ganhou um pouco de luzes quando foi destacado como revelação do Prêmio Tim do ano passado.

Antes disso já ganhara um Grammy de melhor canção brasileira por Caminho das Águas (música que entrou no segundo disco da filha de Elis Regina, Maria Rita). Mas ele já vinha se destacando entre seus pares, sendo gravado por Verônica Sabino, Fernanda Abreu, Zélia Duncan, Maria Rita, Roberta Sá e outros.

Depois das primeiras experimentações, o grupo lançou seu primeiro disco, homônimo, em 2001. O CD já trazia as mesclas de bateria de escola de samba misturadas a instrumentos da música pop a serviço de samba-funk e nordestinidades como ciranda e maracatu.

Parte das músicas do primeiro disco, lançado de forma independente e de restrita circulação, ganhou novas chances num EP lançado três anos depois. Melhor produzido, o EP Vira-lata saiu pelo selo do festival Humaitá Pra Peixe com distribuição da EMI. Era um ensaio para a grande indústria ver se o grupo pegava.

Deu em nada. O som do Banga é vira-lata demais para o padrão pedigree que a indústria queria. Devolvido à sua articulação de rua, o grupo continuou experimentando até chegar nesse terceiro lançamento, ancorado agora no selo MP,B (mesmo de Roberta Sá, Pedro Luis e a Parede, entre outros).

Comparado a Vira-lata, esse Barraco Dourado mantém a qualidade das composições e arranjos (de ótima metaleira) do grupo e acrescenta algumas boas novidades. O CD é enxuto mas integrado (10 faixas), apesar da variação e dinâmica de temas e referências. A maioria (e melhores) faixas foram feitas por Rodrigo Maranhão, que figura também como vocalista principal.

Até as únicas duas releituras chamam a atenção. Refizeram Lourinha Bombril (famosa com os Paralamas do Sucesso) e uma excelente versão de Trilhos Urbanos (Caetano Veloso) em levada de jongo.

Para mais informações, visite www.banga.com.br.

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