O Bangalafumenga levou para o estúdio o clima descontraído dos blocos cariocas
por Kiko Ferreira
Os blocos de rua do Rio de Janeiro oferecem ao fã de carnaval uma opção saudável e animada de trilha sonora, diferente dos vocais com vogais em profusão do axé e dos sambas de enredo, cada vez mais marcha, mais negócio, mais fórmula. Como fossem versões modernas da saudosa Banda do Canecão, que, na década de 1970, gravava discos transformando os hits do ano em temas de folia, eles mesclam temas próprios e composições alheias em trilha para desfiles e concentrações de foliões de todas as horas.
Fundado em 1998 pelo poeta e letrista Chacal e pelos músicos Rodrigo Maranhão e Celso Alvim, o Bangalafumenga é quase um primo, um irmão, de Pedro Luís e a Parede(PLAP). Inclusive, um dos grandes sucessos do PLAP, Rap do real, estava no disco de estréia do bloco, gravado ao vivo em 2001. Em 2004, veio o primeiro disco de estúdio, o EP pau-de-sebo Vira-lata, com quatro artistas do selo Cardume, do festival Humaitá Pra Peixe.
Hoje, com sede em Botafogo, no espaço da oficina de percussão, com mais de uma centena de alunos, o Banga, como é carinhosamente chamado na vizinhança, acaba de lançar o CD Barraco dourado, pela gravadora MP,B. No disco, a porção Banda do Canecão está na versão de Trilhos urbanos, de Caetano Veloso, gravada com levada de jongo, e na releitura do hit dos Paralamas Lourinha Bombril. Entre os destaques, o maracatu funk que dá título ao CD e a viajante Brother, de Serjão Loroza. E os bons vocais de Rodrigo Maranhão, que soa menos estranho e metálico do que o do concorrente amigo Pedro Luis.
Para mais informações, visite www.banga.com.br.